9.10.16

Deus

 
 
Deus nunca é tão Deus precisamente quando me falta.
 
Quantas vezes nos extasiamos diante de Deus! Ele é o Belo, o Grande, o Amor, a Brisa suave de
Elias. Tiramos as sandálias dos pés nesses momentos. Mas quantas e quantas vezes ele me faz falta!
Corro de um lado para o outro na esterilidade do activismo. Não me dou conta de suas insinuações e
inspirações. E no frenesim das correrias ele me faz falta. Parece que não me vê, não me ama, me
deixa na agitação. Nessas horas tenho vontade de gritar com o salmista: "Por que me escondes tua
face? Onde estás? Onde estás?" Sim, Deus é mais Deus quando me faz falta.
 
François Varillon
 
 

Augusto Anjo

 
 
Augusto guarda de minha alma, tu que perto do trono do Eterno brilhas no belo céu como uma
chama delicada e pura, vens a mim nesta terra e iluminas-me com tua luz.
 
Ó Anjo tão belo, tornaste-te meu irmão, amigo e consolador. Conhecendo minha grande fraqueza,
guias-me com tua mão. Eu te vejo cheio de ternura, tirar a pedra do caminho. Sempre tua voz
amável me convida a olhar somente para o céu; quanto mais me vês pequena e frágil, tanto mais tua
face fica irradiante. Ó tu que percorres o espaço mais veloz do que os raios, voa amiúde em meu
lugar àqueles que me são caros! Com tua asa enxuga suas lágrimas! Canta como Jesus é bom! Canta
como o sofrer tem alegrias! E em segredo sussurra o meu nome.
 
Quero, em minha curta vida, salvar meus irmãos, os pecadores. Ó belo mensageiro da pátria celeste,
dá-me teu ardor! Nada tenho senão minha oferenda e minha singela pobreza. Em união com tuas
puras glórias leva-os ao Deus Trino. Ámen.

[Santa Teresinha do Menino Jesus]

7.10.16

Fazei tudo o que Ele vos disser

 
 
Com estas palavras, Maria exprime sobretudo o segredo mais profundo da Sua vida. Nestas palavras
está toda Ela. A sua vida foi de facto, um "Sim" profundo ao Senhor.
Um "Sim" cheio de alegria e confiança, Maria cheia de Graça, Virgem Imaculada, viveu toda a sua existência, completamente disponível para Deus, perfeitamente de acordo com Sua Vontade, mesmo nos momentos mais difíceis que alcançaram o seu ponto culminante no Monte Calvário, junto à Cruz. Nunca recusou o seu "Sim", porque tinha entregue toda a sua Vida nas mãos de Deus:
 
«Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.»
 
 
 
[S. João Paulo II ― Orar ― Espiritualidade do Papa]

Vencer-se a si mesmo

 
 
O que é “vencer-se a si mesmo“? François Varillon disse: “Trata-se de nos tornarmos homens livres”.
O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma
outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso
vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso sair de
mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não
posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(…)
 
Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar
voltado para mim mesmo, não for queimado.”
 
 
François Varillon S. J. , em “Viver o Evangelho”
 

3.10.16

Amor é o meu nome

 
 
Fonte de Vida
 
 
" Dizer que fui criado à imagem de Deus é dizer que o amor é a razão de minha existência, pois Deus é Amor.
 
Amor é a minha verdadeira identidade.
 
Esquecimento de mim mesmo é meu verdadeiro eu.
 
Amor é meu verdadeiro caráter. Amor é meu nome...
 
 
...o amor de Deus é como um rio que brota das profundezas da substância divina e se derrama
incessantemente através da criação, comunicando, em abundância, a todas as coisas, vida, bondade e força."

[Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação"]
 
 

 

2.10.16

Dentro de Deus

 
[José Tolentino de Mendonça]


Por que sou católico

 
 
Bom e Santo Domingo
 
GK Chesterton escreveu uma vez: "A dificuldade em explicar" por que eu sou católico "é que há dez mil razões dentro de apenas um motivo: Que o catolicismo é verdadeiro" Em torno de 2.000 anos atrás, Jesus Cristo fundou a Igreja Católica para preservar a verdade que Ele nos deu e entregá-lo ao longo dos séculos, ajudando pessoas ao redor do mundo a encontrar o amor de Deus em todas as épocas e em todos os cantos da terra.
 
Ao longo dos anos, houve um número incontável de perguntas e objeções levantadas sobre ensinamentos e práticas da Igreja Católica. As respostas estão lá, e vale a pena o seu tempo para encontrá-los. Como o Venerável Arcebispo Fulton Sheen disse uma vez, "Não há se quer 100 pessoas neste país que odeiam a Igreja Católica, mas há milhões que odeiam o que eles acham que a Igreja Católica é."
 
O Senhor quer que todos nós conheçamos e compreendamos a verdade d'Ele, para que possamos abraçá-lo de todo o coração e viver por ela. Cristo nos lembra: "A verdade vos libertará" (João 8:32).
 
 
 
 

20.9.16

Essência e caminho do ágape

 
 
O amor «sobrenatural» vem, como qualquer amor, dum sim que me é dado. Mas este sim provém agora dum tu maior que o sim humano. É o sim de Deus que penetra na minha vida mediante o sim de Jesus Cristo, proferido por nós na Sua encarnação, na Sua Cruz e na Sua ressurreição, por nós que estávamos afastados do sim de Deus. O «ágape» pressupõe, portanto, que o amor crucificado do Senhor se tenha tornado perceptível para mim, me tenha alcançado mediante a fé. Isto parece difícil no sentido humano-psicológico; aqui tocamos o famoso problema da  «actualização». Como pode a cruz do Senhor chegar da história a mim, de maneira a fazer-me experimentar aquilo que Pascal percebeu vivamente na sua meditação sobre o Senhor no Jardim das Oliveiras (esta gota se sangue verti-a por ti)? A «actualização» é possível porque o Senhor vive ainda hoje nos seus santos e porque através do amor proveniente através da fé deles pode atingir-me imediatamente.
 
Recordemos aqui o que foi dito no capítulo sobre a fé acerca do nosso caminho duma fé em «segunda mão» a uma fé em «primeira mão»: Em cada encontro com o amor dos «santos», daqueles que realmente crêem e amam, eu encontro sempre mais que este determinado homem, eu encontro o Novo que somente por meio do outro, por meio d'Ele, podia formar-se neles, e assim abre-se também em mim a via para a imediatez com Ele.
 
Mas isto é apenas o primeiro passo. Se este sim do Senhor penetra realmente em mim de modo a gerar de novo a minha alma, então o meu eu fica impregnado d'Ele, conotado pela participação n'Ele. «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.»
Então realiza-se o mistério do Corpo de Cristo, como por exemplo expôs São João de Eudes no seu tratado sobre o Coração de Jesus: «Peço-te que penses que Jesus é a tua verdadeira cabeça e que tu és um dos Seus membros. Ele é para ti o que a cabeça é para os seus membros; tudo o que é Seu é teu, espírito, coração, corpo, alma, todas as capacidades. Podes usá-las como sendo tuas (...). Mas tu és para Ele como um membro, pelo que Ele deseja intensamente empregar cada capacidade tua como sendo d´Ele...(...)
 
No encontro com Cristo instaura-se, como diria a teologia, «uma comunicação de idiomas», uma troca interna recíproca no grande Eu novo em que a transformação da fé me introduz. Então o outro deixa de ser um estrangeiro para mim, também ele é um membro. Cristo quer usar as minhas capacidades por ele, mesmo quando não está presente uma atracção humana-natural. Ora eu posso transferir para ele o sim de Cristo que me vivifica, como sim meu pessoal e contudo dele, mesmo e precisamente quando não existe simpatia natural. Em vez das simpatias e das antipatias pessoais privadas, entrou a simpatia de Cristo, o seu sofrer e amar connosco. Desta simpatia de Cristo a mim participada, que se torna minha na vida da fé, eu posso transmitir uma simpatia, um sim maior que o meu próprio sim, que faz sentir ao outro aquele profundo sim único que dá sentido e consistência a todo o sim humano.
 
Infelizmente não é possível aqui ver mais de perto a modalidade humana deste ágape. Ela exige iniciação, paciência e também a previsão das contínuas recaídas. Ela pressupõe que na vida da fé eu chegue ao intercâmbio interno do meu eu com Cristo, de modo que o Seu sim penetre realmente em mim e se torne meu. Ela pressupõe também exercício para a coragem concreta deste simm que vem d'Ele e passa para o outro, e pelo qual precisa de mim, pois somente com esta coragem, inicialmente não habitual e um pouco difícil, aumenta a força e se reconhece cada vez melhor o evento pascal. Esta cruz que me atravessa («Auto negação») conduz a uma alegria íntima, à «ressurreição». Quanto mais tiver a coragem de me perder a mim mesmo mais experimento que precisamente assim me encontro. Desse modo, mediante o encontro com Jesus, cresce para mim um novo realismo, que me reforça no meu agir como seu membro. Assim como existe um circulus vitiosus, um aprisionamento no negativo, quando um não condiciona outro e nos extravia cada vez mais, também existe um círculus salutis, um anel da salvação, em que um sim gera outro. Nesse caso é importante garantir a justa relação entre natureza e graça. Um ágape que não seja ao mesmo tempo trazido e afirmado pela minha própria «natureza», que queira rejeitar e combater o eu, torna-se bruto e inflexível. Ele assusta o outro e nutre a fractura íntima em mim próprio.
 
A exigência da cruz é totalmente diferente. Atinge maior profundidade, exige que eu ponha o meu eu nas mãos de Jesus, não para que o destrua, mas para que n'Ele se torne livre e aberto. O sim de Jesus Cristo que eu transmito só é realmente Seu quando se torna inteiramente meu. Assim, a esta via pertence muita paciência e humildade, tal como o Senhor tem paciência connosco. Não é o salto mortal para o heroísmo que torna santo o homem, mas o humilde e paciente caminho na companhia de Jesus, passo a passo. A santidade não consiste em aventureiros actos de virtude mas em amar com Ele. Por isso os verdadeiros santos são pessoas em tudo humanas e naturais, são aqueles em que o humano, mediante a transformação e a purificação pascais, vem à luz com toda a sua beleza original.
 
 
[Trechos — in: Olhar para Cristo — Papa Bento XVI]

19.9.16

São João Eudes

S. João Eudes
 
Do Tratado de São João Eudes, presbítero,
sobre o admirável Coração de Jesus

Rogo-te que penses em Nosso Senhor Jesus Cristo como tua verdadeira Cabeça e em ti como um dos seus membros. Ele é para ti como a cabeça para os membros.
Tudo o que é d’Ele é teu: o seu espírito, o seu coração, o seu corpo, a sua alma e todas as suas faculdades. Deves usar de todas elas como se fossem realmente tuas, para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Tu és para Ele como um membro em relação à cabeça; e por isso também Ele deseja ardentemente servir Se de todas as tuas faculdades como se fossem suas, para servir e glorificar o Pai.
 
Cristo não somente é para ti, mas quer também estar em ti, viver e dominar em ti, como a cabeça vive e reina nos seus membros. Quer que tudo quanto n’Ele existe viva e domine em ti: o seu espírito no teu espírito, o seu coração no teu coração, todas as faculdades da sua alma nas faculdades da tua alma, de modo que se realizem em ti aquelas palavras: Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo, e a vida de Jesus se manifeste em vós.
E tu não somente és para o Filho de Deus, mas deves estar n’Ele tal como os membros estão na cabeça. Tudo quanto há em ti deve ser inserido n’Ele e d’Ele deves receber a vida e por Ele ser governado. Fora d’Ele não encontrarás a vida verdadeira, porque Ele é a única fonte de vida verdadeira; fora d’Ele não encontrarás senão morte e perdição.
 
Seja Ele o único princípio dos teus movimentos, acções e energias da tua vida; deves viver d’Ele e por amor d’Ele, para que em ti se cumpram estas palavras: Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo; se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. De facto, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.
Tu és, por conseguinte, uma só coisa com Jesus, como os membros são uma só coisa com a cabeça; e por isso deves ter com Ele um só espírito, uma só alma, uma só vida, uma só vontade, um só pensamento, um só coração. E Ele deve ser o teu espírito, o teu coração, o teu amor, a tua vida, enfim, deve ser tudo para ti. Todas estas grandezas do cristão têm a sua origem no Baptismo, crescem e robustecem se pela Confirmação e pelo bom exercício das outras graças que Deus lhe comunica e que têm o seu mais perfeito complemento na sagrada Eucaristia.

 
de-Jesus-19-Ago-10

18.9.16

Bom e Santo Domingo!

 
 
Na Santa Missa
 
Diz a Nosso Senhor que, daqui em diante, cada vez que assistires à Santa Missa, e receberes o Sacramento Eucarístico, fá-lo-ás com uma fé grande, com um amor que queime, como se fosse a última vez da tua vida. E tem dor pelas tuas negligências passadas.
 
Quando O receberes, diz-lhe: - Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas.

 
 
 
[São José Josemaria Escrivá -Forja, 832]