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2.4.20

A Medalha Milagrosa

                                                                     A MEDALHA MILAGROSA

Medalha Milagrosa: um sinal que surgiu numa enorme crise social, política e económica - 1830, Paris em chamas: Nossa Senhora, porém, trouxe um sinal!
 
Quando Nossa Senhora apareceu para a jovem noviça Catherine Labouré na capela das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris, a cidade estava em crise. A Revolução de Julho de 1830 tinha destituído o monarca francês e deixado à deriva os trabalhadores, que, desempregados e furiosos, organizaram mais de 4.000 barricadas pela capital.
 
As três aparições testemunhadas por Catherine originaram a devoção popular pela Medalha Milagrosa.
Na segunda dessas aparições, Maria se revelou sobre um globo com raios de luz que irradiavam de suas mãos. Em torno de Maria, em forma oval, apareciam as palavras “Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós“.
 
 Na visão de Catherine, o verso dessa imagem mostrava a letra “M”, encimada por uma cruz, e, abaixo, dois corações. O Sagrado Coração de Jesus estava coroado por espinhos; o Imaculado Coração de Maria estava cercado por rosas e trespassado por uma espada.
 
Catherine relatou que Nossa Senhora a tinha instruído a mandar fazer uma medalha baseada nessa visão, prometendo abundantes graças para todos os que a usassem com confiança. Dois anos depois, uma avassaladora epidemia de cólera arrancou a vida de mais de 20.000 parisienses. As irmãs distribuíram a medalha milagrosa e logo começaram a ser relatados vários casos de cura, bem como de proteção contra a doença.
 
A medalha de Maria também desatou alguns eventos surpreendentes. Oito anos após a epidemia, a capela da Rue du Bac voltou a receber aparições. A Mãe de Deus apareceu desta vez para a irmã Justine Busqueyburu, confiando a ela o Escapulário Verde do seu Coração Imaculado para a conversão dos pecadores, em particular dos que não têm fé.
 
Dois anos depois, o banqueiro francês Alphonse Ratisbonne, ateu, membro de uma destacada família judaica, se converteu ao catolicismo. Ratisbonne tinha visitado Roma usando por brincadeira a medalha milagrosa. Ao visitar a famosa igreja barroca de Sant’Andrea delle Fratte, em 20 de janeiro de 1842, recebeu ele próprio uma aparição de Maria. Ratisbonne se converteu ali mesmo.
 
“Ele não conseguia explicar como tinha passado do lado direito da igreja para o altar lateral oposto… Tudo o que ele sabia era que, de repente, estava de joelhos perto daquele altar. No começo, conseguiu ver claramente a Rainha do Céu em todo o esplendor da sua beleza imaculada, mas não pôde continuar olhando para o brilho daquela luz. Por três vezes tentou olhar novamente para a Mãe de Misericórdia; por três vezes foi incapaz de levantar os olhos para além das mãos abençoadas de Maria, da qual fluía, em raios luminosos, uma torrente de graças“.
 
Alphonse Ratisbonne se tornou sacerdote jesuíta e fundou mais tarde a congregação religiosa dos Padres e Irmãs de Sião em Jerusalém.
 
Catherine Labouré morreu mais de trinta anos depois, ainda como freira de clausura no convento de Paris. Seus restos mortais foram encontrados incorruptos em 1933. Ela foi canonizada em 1947 pelo papa Pio XII.

5.7.16

Querido Santo António

Santo António
 
Testemunho
 
Não foi à toa que há uns dias, resolvi publicar o tão já (re)conhecido Responso de Santo António. Na verdade, há algum tempo na desesperada procura de umas quantas páginas já impressas de um trabalho em curso que bastante me importa, parei, pensei. Consultei colegas e o pessoal da casa: nada! Revirei pastas, os dispositivos que uso, ora num ou noutro local e nenhuma pista à vista. Em lugar nenhum estavam. E ai que o tempo corre e o prazo expira...
 
Rezar... Ah..., a tal da oração a Santo António..., Ó Santo milagreiro, valei-me! Encontrei o 
Responso e aflita, "usei-o". Foi mais isso que rezar, sim..., como quando acreditava na fada que
vem colocar um doce no travesseiro quando nos cai um dente de leite. E então, nada. Nada de
nada aconteceu no dia seguinte e volto a revolver todos os cantos, as prateleiras da estante,
arquivos e sei lá que mais, acreditando já que distraída, teriam ido parar ao lixo. É que isto tem
vindo a ser feito por partes. E o prazo, o prazo de entrega a chegar... E eu que nem sou
desorganizada...!
 
Santo António, ó Santo e agora?
Agora, agora "rezas" de verdade!
 
E assim foi. E assim e então foi que ao terceiro dia me deparei com esse bloco de páginas entre
a pilha de livros, dossiers, papeis, agenda e algo mais  que costumo ter no lado direito da
minha secretária. Mesmo ali. Todo esse tempo. Sim, sou organizada. Essa pilha vai
decrescendo na medida em que arrumo assuntos e cada coisa por sua vez a seu tempo. Era
agora que precisava.  Esperava ainda ser despachada mas não bem ali...
 
Lá estavam as (bem) ditas páginas, bem como o apontamento escrito do ficheiro em que as gravei.
Ambas reencontradas, meu querido Santo, Santo António milagreiro...
Recuperando a lucidez, agradeci-lhe e então recordei que antes de tudo isto, havia já 
publicado aqui, na data em que se celebra o seu dia, uma outra oração na qual, o Santo nos
fala que muito lhe agradam aqueles... transcrevo:
 
"Quero que sejas mais assíduo ao Santíssimo Sacramento; mais devoto para com a nossa Mãe,
Maria Santíssima; quero que propagues a minha devoção e ajudes meus pobres. Oh! Quanto
isso me agrada ao coração! Não sei negar nenhuma graça àqueles que socorrem aos outros por
meu amor..."
 
Faltas, as minhas faltas... Mas o Santo corrige-me: deu-me hoje a oportunidade de cumprir um
destes seus pedidos. Um caso urgente. No qual e praticamente todo o dia me ocupou. Conto
isto e apenas para me dizer, sim, a mim, que se este Santo de facto nos vale, por graça de
Deus, também nos chama a atenção  para a parte que nos cumpre realizar a favor do próximo.
 
É graça! Quantas horas não me poupou a mim em refazer as tais páginas desaparecidas?
 
Que me falta a mim, se Deus me daria não só o tempo, todo esse em que as procurei, bem
como a capacidade e a energia que à noite tivesse retirado ao do sono? Apela-me à Fé, à
Gratidão, Compaixão, às necessidades do próximo, meus irmãos...
 
É ganho, ganho ainda mais afeição ao Santo. Tudo é graça, tudo o que me vem do Senhor!
 
"De que nos vale a fé sem obras?"
 
Deus acorda-nos através dos Santos.
 
Testemunho e abraço duplamente grata, a tarefa que tenho em mãos, 
Ámen.
 
 

4.8.15

moradas de Deus


«Deus mora e subsiste substancialmente em qualquer alma, mesmo a do maior pecador do mundo. Esta forma de união, realiza-se sempre entre Deus e as criaturas. Deus está a conservar nelas  o ser que têm; e, se Ele lhes faltasse, logo se aniquilariam e deixariam de ser».
S. Paulo dizia aos atenienses: « N'Ele vivemos, nos movemos e existimos... e por isso não está longe». (Act. 17, 28,27).
Poderíamos chamar a esta presença, uma presença de existência natural (...) quando falamos da morada de Deus em nós,  referimo-nos àquela  que é obra da graça e que, desenvolvendo-se, pode chegar, se a alma for dócil,  «à união da alma com Deus, que não está sempre realizada, mas só quando houver semelhança de amor..., que se dá quando as duas vontades, a saber: a da alma e a de Deus, estão conformes em tudo, não havendo numa nada que repugne a outra». - S. João da Cruz - subida do Monte Carmelo, livro II, cap V


(continua...)