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27.4.20

A Primeira Missa no Brasil

Primeira Missa no Brasil

Há 520 anos, no dia 26 de abril de 1500 – domingo da oitava de Páscoa –, era celebrada a primeira Missa daquele que viria a ser o país com o maior número de católicos baptizados no mundo, o Brasil.

A Santa Missa foi presidida por Frei Henrique de Coimbra e concelebrada por outros sacerdotes em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia, sobre o ilhéu da Coroa Vermelha. Em sua carta ao rei Dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um “altar mui bem arranjado” e que, segundo observou, “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, nas 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral, o qual, avistando do mar um monte, chamou-o de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa. Àquela terra, inicialmente, colocou o nome Terra de Vera Cruz.

Após desembarcarem em terra firme e terem os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha. Foi neste local que celebraram a Santa Missa. Terminada a celebração, conforme relata Pero Vaz de Caminha, o sacerdote subiu em uma cadeira alta e “pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção”.

Conforme indicam os relatos, o escrivão Caminha acreditava que a conversão dos índios seria fácil, pois demonstraram respeito quanto à religião. Neste sentido, pediu ao rei que enviasse logo clérigos para baptizá-los.

A representação mais famosa da celebração é o quadro “A Primeira Missa no Brasil“, feito em 1861 pelo pintor catarinense Victor Meirelles de Lima. Após esta, a segunda Missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. Os anos se passaram e, hoje, o Brasil é o país com o maior número de católicos batizados no mundo.

Segundo o Anuário Pontifício 2018 e o Anuário Estatístico da Igreja 2016, no Brasil vivem 173,6 milhões de católicos, o que representa 13,3% de fiéis do mundo e 27,5% da América do Sul.

Em: acidigital.com
Imagem: Victor Meirelles - Domínio público

3.1.17

Da Relação entre a Eucaristia e a Cruz

 Da Relação entre a Eucaristia e a Cruz
 
 
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia pouco antes da sua paixão, para que conhecêssemos a relação existente entre este Sacramento e a Cruz. Instituindo-o, mudou separadamente, e por duas acções distintas, o pão em seu Corpo e o vinho em seu Sangue, para exprimir a efusão que, na cruz, faria de seu Sangue até a última gota. Apresentando o seu corpo aos discípulos disse-lhes: Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós (Lc 22, 19); apresentando o seu sangue: Este é o Cálice do meu Sangue, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados (Mt 26,28).

Quis que o seu corpo conservasse na eucaristia o caráter de vítima e o seu Sangue o de um sangue derramado e aplicado às almas em expiação dos respectivos pecados. Dando, enfim, aos discípulos o poder de consagrarem-lhe o Corpo e o Sangue, recomendou-lhes que o fizessem em sua memória,
isto é, advertiu-lhes que se lembrassem de ser esse sacramento o memorial da sua morte cruenta.

Quis, por outro lado, que a Eucaristia constituísse alimento necessário, indispensável das almas, como o único meio de poderem ter em si a vida da graça, e de a conservarem e aumentarem.

O que queria Jesus?

1.º que os fiéis guardassem profundamente gravada no coração a lembrança da sua cruz;

2.º que a renovassem em si mesmos cada vez que recebessem o seu corpo;

que, alimentando-se da sua carne, também se alimentassem da sua cruz, se incorporassem por assim dizer a esta, ardessem de amor pela sua glória e manifestassem progresso espiritual com a recepção da eucaristia, tornando-se sempre mais ardorosos pela cruz. Assim compreenderam os mártires dos primeiros séculos, pois mediante a recepção da santa eucaristia preparavam-se para os mais atrozes suplícios e, saciados com esse manjar sagrado, afrontavam os tiranos e algozes.

Queremos comungar utilmente e corresponder às intenções de Jesus Cristo? Comunguemos desejosos de que seu corpo adorável faça nascer em nós o amor à cruz, isto é, às humilhações e sofrimentos, o desejo de morrermos para nós mesmos e sermos imolados com Jesus Cristo segundo a vontade de Deus. Por aí devemos alcançar os frutos das nossas comunhões. Não as julguemos boas
quando gozamos de consolações e sim quando nos enchem de nova coragem para vencermos todas as penas enviadas por Deus e até desejarmos outras maiores; quando aprendermos a não mais procurar Deus em nosso proveito, mas buscá-lo e amá-lo unicamente por ele mesmo, a não atender à maneira por que nos trata, a ficar igualmente contentes quer nos trate com rigor quer com doçura, ou até preferir aquele a essa. Se as nossas comunhões produzirem esses efeitos, serão excelentes; realizarão as intenções de Jesus Cristo; serão igualmente gloriosas para Deus e profícuas para nós.

Alarmamo-nos quando comungamos sem gosto e sem devoção, ou quando Deus não nos dá consolações?
 
Se não tivermos contribuído para isso com alguma falta ou infidelidade voluntária, consolemo-nos; é sinal de que a eucaristia não é para nós o pão dos fracos e começa a tornar-se o pão dos fortes.
Enquanto precisamos encontrar na eucaristia o gosto sensível, somos fracos; mas se comungarmos sem prestar atenção a nós mesmos, sem nos preocupar com os efeitos sensíveis, sem os desejar e sem nos entristecer com a sua privação, tornamo-nos fortes; começamos a viver da vida do espírito,
o nosso amor a Deus purifica-se, não é mais eivado do amor a nós mesmos.

[Manual das Almas Interiores, Jean Grou] , S.J; Editora Vozes 1953]

 
 
Publicado em Outubro de 2016

18.9.16

Bom e Santo Domingo!

 
 
Na Santa Missa
 
Diz a Nosso Senhor que, daqui em diante, cada vez que assistires à Santa Missa, e receberes o Sacramento Eucarístico, fá-lo-ás com uma fé grande, com um amor que queime, como se fosse a última vez da tua vida. E tem dor pelas tuas negligências passadas.
 
Quando O receberes, diz-lhe: - Senhor, espero em Ti; adoro-Te, amo-Te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas.

 
 
 
[São José Josemaria Escrivá -Forja, 832]
 

4.9.16

Dominus Est

 
Na antiga Igreja  siríaca, o rito da distribuição da Comunhão era comparado com a cena da
purificação do profeta Isaías, por parte de um dos serafins. Num dos seus sermões, Santo
Efrem deixa falar Cristo com estas expressões: "O carvão trazido santificou os lábios de Isaías.
Fui Eu que, trazido agora a vós por meio do pão, vos santifiquei: As tenazes que o profeta viu
e com que foi tomado o carvão do altar, eram a figura de Mim próprio, no grande sacramento.
Isaías viu-Me a Mim, assim como vós ;e vedes a Mim agora, estendendo a Minha mão direita e
levando às vossas bocas o pão vivo. As tenazes são a Minha mão direita. Eu faço as vezes do
serafim. O carvão é o Meu Corpo. Todos vós sois Isaías."
 
Esta descrição permite concluir que na Igreja siríaca, no tempo de Santo Efrem, a Sagrada
Comunhão era distribuída directamente na boca. Isto mesmo se pode constatar também na
liturgia de S. Tiago, que era ainda mais antiga  do que a chamada de São João Crisóstomo. Na
liturgia de S. Tiago, antes de distribuir aos fiéis a Sagrada Comunhão, o sacerdote recita esta
oração: "Que o Senhor nos abençoe e nos torne dignos de tomar, com mãos imaculadas, o
carvão aceso, metendo-o na boca dos fiéis".
 
O facto de que um homem mortal tomava o Corpo do Senhor directamente nas suas mãos, exigia ,
para São João Crisóstomo, um comportamento de grande maturidade espiritual: "O sacerdote
continuamente toca Deus com suas mãos. Que pureza, que piedade se exige dele! Reflecte
agora um pouco, como deveriam ser essas mãos que tocam coisas tão santas!"
 
 
[Dominus Est - Athanasius Schneider]

28.8.16

Bom e Santo Domingo

 
 
O Verdadeiro sentido da Eucaristia converte-se por si só numa escola de amor activo pelo
próximo.
É da Eucaristia que todos nós recebemos graça e força para a vida diária, para vivermos a vida
cristã com a alegria de sabermos que Deus nos ama, que Cristo morreu por nós e que o
Espírito Santo vive em nós.
 
8.

[Trechos - Orar - S. João Paulo II]
 

22.6.16

Por que você não ajoelha após receber a Comunhão

 
Quando você entra ou quando deixa o seu banco, ajoelha (dobra o joelho direito de maneira a
tocar o chão) em forma de adoração ao Filho de Deus que está presente no tabernáculo.
 
Mesmo se o tabernáculo estiver em outro lugar ou câmara, eu ajoelho em frente ao crucifixo,
no, ou sobre o altar que desde o Concílio de Nicéia II da AD 787 (7º Concílio Ecumênico )
ensina que a devoção que demonstramos às sagradas imagens passa para além das mesmas para
seus protótipos (neste caso, do crucifixo para o próprio Cristo). É perfeitamente correcto
ajoelhar diante de uma cruz, crucifixo, ou imagem de Cristo.
 
Existe alguma confusão sobre se ajoelhar aquando de volta ao seu banco. Geralmente o
habitual é não ajoelhar após receber a Sagrada Comunhão por propósitos devocionais. Em não
se ajoelhando, você está a confessar ter-se tornado em um tabernáculo preenchido. A Santa
Eucaristia está em si. Não é apropriado ajoelharmos em alguma direção porque a Sagrada 
Eucaristia está literalmente no mais profundo do seu ser. A orientação da adoração é agora
interior.
 
Há histórias de crianças que se ajoelham perante suas mães quando voltam do altar depois de
terem recebido a comunhão - o que é maravilhoso e correcto.
 
Não existe um ensinamento oficial, norma, ou regra (que eu saiba) sobre não ajoelhar na nave
depois de se receber a Sagrada Comunhão, mas habitual é não o fazer - porque Jesus, o
Senhor está agora dentro de si. Você é um tabernáculo andante.
 
Questão: O que você faz após a Comunhão? Ajoelha? Por favor partilhe seus pensamentos ou
práticas que usa depois de comungar. Pode deixar um comentário clicando aqui.
 
 
PS: Uma dupla genuflexão (ambos os joelhos) é recomendável quando o Santíssimo Sacramento
está exposto para adoração.
 
PPS: É uma prática tradicional ajoelhar com joelho esquerdo perante um Bispo ou dignatário.
 
PPPS: Caso tenha um joelho afectado, faça o que puder. É o coração que importa.
 
 
 
Tradução: RP

7.5.16

Bilhetes do Céu (6) - Adoremos

A D O R E M O S
 
 
 
 
Santo Agostinho - Eucaristia
 

4.5.16

A procura do invisível

A PROCURA DO INVISÍVEL
 
A pergunta é feita de uma procura. O homem procura Deus. O jovem compreende, no mais profundo de si próprio, que tal procura é a lei interior da sua existência. O ser  humano procura a sua vida no mundo visível e, através do mundo visível, procura o invisível ao longo da sua viagem espiritual. Cada um de nós tem a sua história pessoal e tem dentro de si o desejo de ver Deus, um desejo que se sente no momento exacto em que se descobre o mundo criado. Este mundo é maravilhoso e rico, desdobra perante a humanidade as suas inúmeras riquezas, seduz, atrai tanto a razão como a vontade. Mas, no fim de contas, não enche o espírito. O homem apercebe-se  de que este mundo, na diversidade das suas riquezas, é superficial e precário; num certo sentido, está destinado à morte.
 
PERGUNTAS PROFUNDAS
 
Hoje tomamos ainda mais consciência da fragilidade da nossa terra, com demasiada frequência degradada pela própria mão do homem a quem o Criador a confiou.

Quanto a esse mesmo homem, vem ao mundo, nasce do ventre materno, cresce e amadurece; descobre a sua vocação e desenvolve a sua personalidade no decurso dos anos de actividade, depois aproxima-se o momento em que tem de deixar este mundo. Quanto mais longa é a sua vida, mais o homem se apercebe da sua própria precaridade, e mais se põe a questão da imortalidade: o que há para além da fronteira da morte? Então, no silêncio do ser, surge a pergunta feita Àquele que venceu a morte:

«Mestre, onde moras?» Mestre, Tu que amas e respeitas a pessoa humana, Tu que partilhaste o sofrimento com o homem, Tu esclareces o mistério da existência humana, fazes descobrir o verdadeiro sentido da nossa vida e da nossa vocação!
 
A RESPOSTA DA IGREJA
 
«Mestre, onde moras?»
 
A Igreja responde todos os dias: Cristo está presente na Eucaristia, o sacramento da sua morte e ressurreição. Nela e através dela, conhecereis a morada de Deus vivo na história do homem. Porque a Eucaristia é o sacramento do amor que vence a morte; é o sacramento da Aliança, uma pura dádiva de amor para a reconciliação dos homens; é a dádiva da presença real de Jesus, o Redentor, no pão que é o seu Sangue derramado por todos. Através da Eucaristia, incessantemente renovada em todos os povos do mundo, Cristo constitui  a sua Igreja; uni-vos nos louvores e nas acções de graças pela salvação, na comunhão que apenas o amor infinito pode selar. A nossa  reunião mundial ganha, assim, todo o seu significado, através da celebração da Missa. Jovens, meus amigos, que a vossa presença seja uma verdadeira adesão de fé! Eis que Cristo responde à vossa pergunta e, ao mesmo tempo, às perguntas de todos os homens que rodeiam o Deus vivo. Responde com o seu convite: este é o meu Corpo, comei todos. E confia ao Pai o desejo supremo nessa mesma comunhão de todos aqueles que ama.
 
São João Paulo II