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14.1.17

A vida é sempre mais forte que a morte

 
 
 
 
Um casal de recém casados, decide fazer as fotos de seu casamento entre as ruínas da cidade para  simbolizar a força da vida sobre a morte.

"La vida siempre es más fuerte que la muerte." O al menos esto es lo que ha querido demostrar esta
pareja de recién casados en la ciudad siria de Homs, destruida por los combates entre las fuerzas
rebeldes y el ejército de Bashar el Asad. El joven matrimonio decidió que las fotos de su enlace se
realizarían entre las ruinas de la ciudad.
 
 
A: 19 Dez 2016

3.1.17

Da Esperança

 
 
Da esperança

Encontrei uma bonita imagem da esperança nas pregações de Advento de São Boaventura. O doutor seráfico diz aos seus ouvintes que o movimento da esperança se assemelha ao voo do pássaro, que para voar estende as suas asas o mais abertamente que pode e emprega todas as suas forças para as mover, torna-se todo ele movimento, e assim vai para o alto, voa efectivamente. Esperar é voar, diz Boaventura. A esperança exige-nos um empenho radical, requer que todos os nossos membros se tornem movimento para nos levantar da força de gravidade da Terra, para ascender à verdadeira altura do nosso ser, às promessas de Deus.
O doutor franciscano desenvolve então uma bela síntese da doutrina dos sentidos exteriores e dos sentidos interiores. Quem espera, assim diz ele, «deve levantar a cabeça, dirigindo para o alto os seus pensamentos, para a altura da nossa existência, isto é, para Deus. Deve levantar os olhos para captar todas as dimensões da realidade. Deve levantar o coração dispondo o seu sentimento para o sumo amor e para todos os seus reflexos no mundo. Deve mover também as suas mãos no trabalho».
(...)
O Senhor ensinava-nos a esperança ensinando-nos a sua oração, diz Tomás de Aquino. O pai-nosso é escola de esperança, a sua iniciação concreta. No Catecismo Romano a exposição do pai-nosso forma a quarta parte da catequese cristã fundamental, juntamente com a explicação da confissão de fé, do credo, dos mandamentos e dos sacramentos. Também aqui a oração do Senhor faz de explicação da esperança. Um homem desesperado já não reza porque já não espera; um homem seguro do seu poder e de si próprio já não reza porque confia somente em si mesmo.

Quem reza tem esperança numa bondade e num poder que ultrapassam as suas próprias possibilidades. A oração é esperança em acto.

[Exercícios de Fé, Esperança e Caridade — Joseph Ratzinger]
Em: Olhar para Cristo - Boaventura e Tomás Aquino — pgs 75/77

 
Em Outubro de 2016

31.5.16

Por trás de cada obstáculo...

A 13 de Maio - Praça de S. Pedro
 
O mundo está cansado... cansado de guerras, violência, ódios e opressões. Cansado da inflação. Já sabemos agora que o capitalismo selvagem descobriu um novo processo de exploração, o mais infame e refinado. Há grupos e pessoas que forçam a espiral inflacionária, porque eles lucram escandalosamente, enquanto a corda da inflação aperta o pescoço dos indefesos cidadãos... Enquanto o povo agoniza, alguns outros enriquecem!
 
(...) Estamos cansados de sufocar na garganta indagações inúmeras sobre política interna e externa.  Indagações que ficam sem resposta. Gritos doídos, parados no ar...
 
Só vejo pessoas tensas, nervosas, apressadas. Parece que estão fugindo. Com medo da própria sombra... Abro jornais. Só dá manchete triste, preocupante. Televisão: é violência e superficialidade que não acabam mais. Vejo olheiras fundas no rosto do mundo, no dos cidadãos. Cansaço nos olhos, no rosto, na alma, nos corações...
 
Sempre me ensinaram: quem semeia esperança nos caminhos dos homens, colhe paz e amor, na escola da vida. Nem sempre, segundo os factos nos mostram.
O bárbaro atentado a João Paulo II nos provou que a bondade é muitas vezes crucificada. Quanto mais delicado e sensível seu coração, meu amigo, minha amiga, mais você sofrerá, quando vítima da maldade, da injustiça, da ingratidão.
 
Não é fácil ser optimista, alegre e jovial nos dias de hoje. Por outro lado, não resolve jogar os remos no fundo do barco, deixando que a correnteza do derrotismo e as vagas da capitulação nos arrastem rios abaixo. Viver é lutar, é reagir. Nem que seja contra toda a esperança.
 
Jamais esqueceremos aquela cena de 13 de Maio, na Praça de S. Pedro. João Paulo II foi baleado quando acabava de abraçar uma criança. Foi o confronto mundial da bondade com a violência desvairada, o amor-ternura contrastando com a cegueira do ódio, da maldade. Foi a hora do lobo investindo contra mansidão do cordeiro...
A solidariedade é uma das faces sob as quais Deus se oculta no coração dos homens. Imensa, comovente e total foi a solidariedade que o Papa ferido recebeu. Uma solidariedade orante, do tamanho do universo...
 
Deus continua velando, escrevendo, conduzindo, nas linhas tortas e sinuosas que a civilização moderna rabisca nos pergaminhos da História. E mesmo no fundo do poço seus braços de misericórdia nos alcançam, carregados de estrelas...
(...) Deus não acalma as tempestades que a turbulência da insensatez humana desencadeia..., mas nos revigora para atravessá-las, com serenidade, paz e confiança. Não raro, quando nos parece que Deus se afasta... é exatamente então que ELE VEM. Ao nosso encontro. Para dentro da nossa vida. Plantando questionamentos de sabedoria. Desarrumando a nossa casa, sacudindo nossos marasmos e acomodações. Desinstalando-nos da mediocridade, deixando-nos seus recados de misericórdia e amor.
 
O dia 13 de Maio foi um vento forte, desconcertante e impetuoso que varreu o globo. Muita gente acordou! Reflectiu, se comoveu e rezou, como na manhã de Pentecostes, dois mil anos atrás. Senti Deus falando aos homens, falando ao mundo, naquela tarde, naquela noite...
 
"Por trás de cada obstáculo, descubro novos horizontes".
 
 
 
Pe. Roque Schneider, S.J.
[Trechos, Pe. Roque Schneider]