Mostrar mensagens com a etiqueta A Igreja. S. João Paulo II. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Igreja. S. João Paulo II. Mostrar todas as mensagens

4.5.16

A procura do invisível

A PROCURA DO INVISÍVEL
 
A pergunta é feita de uma procura. O homem procura Deus. O jovem compreende, no mais profundo de si próprio, que tal procura é a lei interior da sua existência. O ser  humano procura a sua vida no mundo visível e, através do mundo visível, procura o invisível ao longo da sua viagem espiritual. Cada um de nós tem a sua história pessoal e tem dentro de si o desejo de ver Deus, um desejo que se sente no momento exacto em que se descobre o mundo criado. Este mundo é maravilhoso e rico, desdobra perante a humanidade as suas inúmeras riquezas, seduz, atrai tanto a razão como a vontade. Mas, no fim de contas, não enche o espírito. O homem apercebe-se  de que este mundo, na diversidade das suas riquezas, é superficial e precário; num certo sentido, está destinado à morte.
 
PERGUNTAS PROFUNDAS
 
Hoje tomamos ainda mais consciência da fragilidade da nossa terra, com demasiada frequência degradada pela própria mão do homem a quem o Criador a confiou.

Quanto a esse mesmo homem, vem ao mundo, nasce do ventre materno, cresce e amadurece; descobre a sua vocação e desenvolve a sua personalidade no decurso dos anos de actividade, depois aproxima-se o momento em que tem de deixar este mundo. Quanto mais longa é a sua vida, mais o homem se apercebe da sua própria precaridade, e mais se põe a questão da imortalidade: o que há para além da fronteira da morte? Então, no silêncio do ser, surge a pergunta feita Àquele que venceu a morte:

«Mestre, onde moras?» Mestre, Tu que amas e respeitas a pessoa humana, Tu que partilhaste o sofrimento com o homem, Tu esclareces o mistério da existência humana, fazes descobrir o verdadeiro sentido da nossa vida e da nossa vocação!
 
A RESPOSTA DA IGREJA
 
«Mestre, onde moras?»
 
A Igreja responde todos os dias: Cristo está presente na Eucaristia, o sacramento da sua morte e ressurreição. Nela e através dela, conhecereis a morada de Deus vivo na história do homem. Porque a Eucaristia é o sacramento do amor que vence a morte; é o sacramento da Aliança, uma pura dádiva de amor para a reconciliação dos homens; é a dádiva da presença real de Jesus, o Redentor, no pão que é o seu Sangue derramado por todos. Através da Eucaristia, incessantemente renovada em todos os povos do mundo, Cristo constitui  a sua Igreja; uni-vos nos louvores e nas acções de graças pela salvação, na comunhão que apenas o amor infinito pode selar. A nossa  reunião mundial ganha, assim, todo o seu significado, através da celebração da Missa. Jovens, meus amigos, que a vossa presença seja uma verdadeira adesão de fé! Eis que Cristo responde à vossa pergunta e, ao mesmo tempo, às perguntas de todos os homens que rodeiam o Deus vivo. Responde com o seu convite: este é o meu Corpo, comei todos. E confia ao Pai o desejo supremo nessa mesma comunhão de todos aqueles que ama.
 
São João Paulo II
 
 

10.3.16

Alma da Igreja - III

3.

Uma dádiva para todos
 
 
O Espírito Santo continua a revigorar a Igreja e a dirigi-la nos caminhos da santidade e do amor. Como bem salienta Santo Ambrósio, na obra De Spiritu Sancto, «se bem que Ele seja inacessível por natureza, pode, no entanto, ser recebido por nós graças à sua bondade; enche tudo com a sua virtude, mas dele participam apenas os justos; é simples na sua substância, rico em virtude, presente em todos, divide aquilo que é seu para o dar a todos e está todo inteiro em todos os lugares».
 
 
(Segue...)

1.3.16

Alma da Igreja - II

2.

Partir do mistério

Grande mérito da Lumen Gentium é ter vigorosamente recordado que, se se quiser recolher adequadamente a identidade da Igreja, mas sem descurar os aspectos institucionais, deve-se partir do mistério. A Igreja é mistério, porque está enxertada em Cristo e radicada na vida trinitária. Jesus, o Verbo de Deus feito homem, é a «luz» que resplandece sobre o vulto da Igreja. Ele fez cumprir as expectativas do antigo Israel, iniciando o advento do Reino de Deus. Recolheu assim, entre todas as gentes, um novo povo de Deus, unindo-se a Si como seu corpo e sua esposa, na força do Espírito Santo.
 
Mistério sublime, que iguala entre si os baptizados e os incita à contínua conversão até ao vértice da santidade. Eis, pois, a Igreja: um povo a caminho da história, mas com o olhar fixo e voltado para a segunda vinda de Cristo.

(Segue...)

28.2.16

Alma da Igreja

1.

Coração da Igreja

A Declaração Lumen Gentium (n.4) sobre a Igreja diz do Espírito Santo: «Este é o Espírito que dá vida, é uma fonte de água que corre para a vida eterna; através dele, o Pai dá nova vida aos
homens mortos pelo pecado, até que um dia ressuscitem em Cristo os seus corpos mortais.» Portanto, pelo poder e por acção do Espírito, através do qual Cristo ressuscitou, serão ressuscitados
aqueles que estão incorporados em Cristo. É o ensinamento de São Paulo, retomado pelo Concílio.

O mesmo Concílio acrescenta que, descendo sobre os Apóstolos, o Espírito Santo deu início à Igreja, a qual, no Novo Testamento, e especialmente em são Paulo, é descrita como o corpo de
Cristo: «O Filho de Deus... comunicando o seu Espírito, faz com que os seus irmãos, chamados entre todas as gentes, constituam o seu corpo místico».

A tradição cristã, que retoma este texto de Paulo, da «Ecclesia Corpus Christi», da qual - sempre segundo o Apóstolo - o Espírito Santo é o princípio revigorador, chega a dizer, numa belíssima
expressão, que o Espírito Santo é a «alma» da Igreja. Basta citar Santo Agostinho, que, no seu discurso, afirma: «Aquilo que que o nosso espírito, isto é, a nossa alma, é em relação aos nossos 
membros, é o Espírito Santo para os membros de Cristo, ou seja, para o Corpo de Cristo, que é a Igreja». É também sugestivo um texto da Súmula Teológica, na qual São Tomás de Aquino,
falando de Cristo, cabeça do corpo da Igreja, compara o Espírito Santo ao coração, porque «de forma invisível dá vida à Igreja e a unifica», tal como o coração «exerce um influxo interior no
corpo humano». O Espírito Santo «alma da Igreja», «coração da Igreja», é um belo dado da Tradição, que se deve estudar.
 
(segue...)