14.7.16

Desafios

 
Que as dificuldades que hás-de experimentar, não sejam obstáculo ao teu amor e
generosidade, mas sim um forte desafio. Não te canses de servir, não cales a verdade, supera
os teus temores, sê consciente das tuas próprias limitações pessoais. Tens que ser forte e
valente, lúcido e perseverante neste longo caminho.
 
Não te deixes seduzir pela violência e pelas mil e umas razões que parecem justificá-la. Está
enganado aquele que diz que através da violência se conseguirá a justiça e paz.
 
 
S. João Paulo II - Espiritualidade

9.7.16

Oração à Sagrada Família

Sagrada Família
 
Jesus, Maria e José, modelos perfeitíssimos de recolhimento, caridade e humildade, alcançai-nos a graça de imitarmos as sublimes virtudes que praticastes na terra e dignai-vos proteger a todos nós, que agora prostrados na vossa presença imploramos o vosso patrocínio.
Lembrai-vos, ó Jesus, Maria e José, de que somos inteiramente vossos; defendei-nos, pois, de todo e qualquer perigo, socorrei-nos em nossas necessidades e dai-nos graças para nos mantermos constantemente na imitação da vossa santa Família, a fim de que, servindo-vos fielmente na terra, possamos depois bendizer-vos por toda a eternidade no Céu. Amém.
 

8.7.16

Vem Espiríto Santo!

Fica tão difícil explicar aos nossos mais pequenitos alunos sobre as maravilhas de Deus, sobre a doçura e a humildade de Maria; tornarmo-nos ainda mais minguados e infantis que aqueles que nos pedem respostas, que, por vezes, quase desanimo eu. Há que decrescer, nos situarmos na nossa própria infância, na qual, tudo nos fascina como que na maravilha dos milagres de Jesus que sempre nos interpelarão; que sempre nos impõe procurar-Lhe as respostas que, assim de repente, não teremos se não, sobre a assistência do Divino Espírito Santo! Ou Lhe entregaremos tudo, mas tudo, ou ficamos mudos com tais interpelações...

A humildade responderá por nós se assim Lhe formos almas submissas, inteiramente entregues à Sua vontade de nos acudir. Ai amoroso Espírito Santo que somente assim nos acode... Ai Jesus, que os mais pequenos são os que nos dão as maiores e mais válidas lições.
Puras, reais, tão ingénuas que nos envergonham...

Mas quão necessárias lhes são as respostas que , de verdade lhes merecerão toda a verdade e de forma a dar a devida e merecida explicação. Ó Espírito Santo, arrancai de nós toda a vaidade e prepotência para acudir a tais puras almas sedentas de saber de Ti... como nós mesmas ainda Vos pedimos em infindáveis súplicas... Socorrei-nos e ensinai-nos esta oração, sobre humildade que ainda e para o efeito, nos falha e desconhecemos... Vos pedimos, por nós e por estes pequenitos que a nós recorrem de puro coração.

Faço-me criança, mais uma daquelas que sentaste no Vosso amoroso Colo, meu Deus e meu Senhor...

Ámen.

7.7.16

S. João da Cruz

S. João da Cruz
Graus de Perfeição 
 
1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
 
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.
 
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
 
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
 
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.
 
6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
 
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.
 
8. Em todas as coisas, altos e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.
 
9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
 
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.

12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.

13. Procure sempre confessar-se com profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.

14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.

15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.

16. Recorde-se sempre de que não veio se não para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.

17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplácito dos homens.
 
 
 
S. João da Cruz, Pequenos Tratados Espirituais

5.7.16

Querido Santo António

Santo António
 
Testemunho
 
Não foi à toa que há uns dias, resolvi publicar o tão já (re)conhecido Responso de Santo António. Na verdade, há algum tempo na desesperada procura de umas quantas páginas já impressas de um trabalho em curso que bastante me importa, parei, pensei. Consultei colegas e o pessoal da casa: nada! Revirei pastas, os dispositivos que uso, ora num ou noutro local e nenhuma pista à vista. Em lugar nenhum estavam. E ai que o tempo corre e o prazo expira...
 
Rezar... Ah..., a tal da oração a Santo António..., Ó Santo milagreiro, valei-me! Encontrei o 
Responso e aflita, "usei-o". Foi mais isso que rezar, sim..., como quando acreditava na fada que
vem colocar um doce no travesseiro quando nos cai um dente de leite. E então, nada. Nada de
nada aconteceu no dia seguinte e volto a revolver todos os cantos, as prateleiras da estante,
arquivos e sei lá que mais, acreditando já que distraída, teriam ido parar ao lixo. É que isto tem
vindo a ser feito por partes. E o prazo, o prazo de entrega a chegar... E eu que nem sou
desorganizada...!
 
Santo António, ó Santo e agora?
Agora, agora "rezas" de verdade!
 
E assim foi. E assim e então foi que ao terceiro dia me deparei com esse bloco de páginas entre
a pilha de livros, dossiers, papeis, agenda e algo mais  que costumo ter no lado direito da
minha secretária. Mesmo ali. Todo esse tempo. Sim, sou organizada. Essa pilha vai
decrescendo na medida em que arrumo assuntos e cada coisa por sua vez a seu tempo. Era
agora que precisava.  Esperava ainda ser despachada mas não bem ali...
 
Lá estavam as (bem) ditas páginas, bem como o apontamento escrito do ficheiro em que as gravei.
Ambas reencontradas, meu querido Santo, Santo António milagreiro...
Recuperando a lucidez, agradeci-lhe e então recordei que antes de tudo isto, havia já 
publicado aqui, na data em que se celebra o seu dia, uma outra oração na qual, o Santo nos
fala que muito lhe agradam aqueles... transcrevo:
 
"Quero que sejas mais assíduo ao Santíssimo Sacramento; mais devoto para com a nossa Mãe,
Maria Santíssima; quero que propagues a minha devoção e ajudes meus pobres. Oh! Quanto
isso me agrada ao coração! Não sei negar nenhuma graça àqueles que socorrem aos outros por
meu amor..."
 
Faltas, as minhas faltas... Mas o Santo corrige-me: deu-me hoje a oportunidade de cumprir um
destes seus pedidos. Um caso urgente. No qual e praticamente todo o dia me ocupou. Conto
isto e apenas para me dizer, sim, a mim, que se este Santo de facto nos vale, por graça de
Deus, também nos chama a atenção  para a parte que nos cumpre realizar a favor do próximo.
 
É graça! Quantas horas não me poupou a mim em refazer as tais páginas desaparecidas?
 
Que me falta a mim, se Deus me daria não só o tempo, todo esse em que as procurei, bem
como a capacidade e a energia que à noite tivesse retirado ao do sono? Apela-me à Fé, à
Gratidão, Compaixão, às necessidades do próximo, meus irmãos...
 
É ganho, ganho ainda mais afeição ao Santo. Tudo é graça, tudo o que me vem do Senhor!
 
"De que nos vale a fé sem obras?"
 
Deus acorda-nos através dos Santos.
 
Testemunho e abraço duplamente grata, a tarefa que tenho em mãos, 
Ámen.
 
 

3.7.16

Meu Deus Grande



Meu Deus Grande
 
Deus é tão grande, tão grande!,
em seu infinito portento
que é capaz de fazer-se Pão
e de habitar no solo.
 
Deus é tão grande, tão grande!,
tão exaustivo em seu seio,
que se faz quanto quer,
e por isso alimento.
 
Deus é tão grande, tão grande!,
em seu ser-se o Sempiterno,
que se faz criatura
para levar-me ao seu encontro.
 
Deus é tão grande, tão grande!,
que por isso é tão pequeno
quando se oculta na Hóstia
atrás da prisão do seu encerro.
 
Deus é tão grande, tão grande!,
que é capaz de ser, sem sê-lo,
coisas das que não são
para mostrar seus portentos.
 
Deus é tão grande, tão grande!,
que todo Ele rompe em Beijo,
para beijar-me em seu ser
em gozo de amor eterno.
 
Deus é tão grande, tão grande!,
que me beija quando peno,
fazendo-se tão pequenino
como minha pena no solo!
 
Deus é tão grande, tão grande!,
que, em seu proceder eterno,
pela força do seu braço,
rompe em imensos portentos!
 
  *  *  *
 
O Grande momento da Consagração
Portento dos portentos:
o mesmo Deus que, feito Homem,
em sublime Sacramento,
oferece-se ao Pai, e se dá em bebida e alimento.



Madre Trindad de la Santa Madre Iglesia
Fundadora de: A Obra da Igreja
O Grande momento da Consagração

«A que vieste?»

São Bernardo de Claraval
 
Cedo nos habituaram à quotidiana pergunta de São Bernardo: «A que vieste?» e à resposta
sacramental. «Vim para me santificar».
 
 
Abençoados directores espirituais que ao longo da história, como o génio Claraval, assim
lançaram tanta gente na corrida da santidade.
 
O Sínodo Extraordinário de 1985 manda-nos insistir sobre a urgência de correspondermos
pessoalmente ao chamamento da santidade. Decididamente há que avançarmos pelo caminho
do Senhor, sem pactuar com a mediocridade e o hedonismo, situando-nos num processo de
permanente conversão, abraçando a cruz do Senhor, que é também a dos nossos irmãos.
Podemos todavia cair na tentação subtil de buscar a santidade como forma de crescimento
pessoal, como resposta ao anseio profundamente humano de realização, de aprimoramento.

A Vida consagrada traz consigo, mercê da profissão pública da radicalidade evangélica, a
semente da superação constante da pessoa e a exigência de se descentrar de si mesma para se
enuclear em Cristo e no serviço do seu Reino. Desvinculada desta perspectiva, a santificação
pessoal constitui uma forma de riqueza que viola a coerência interna da consagração. Fazer
carreira, mesmo na linha da qualificação pessoal, não quadra a uma autêntica vida consagrada.
 
Quem vive na prece e na renúncia para conseguir a própria santificação não é ainda santo;
será o mais limpo dos egoístas.
Acrescentar o Corpo de Cristo, dando largas ao dinamismo da graça; transformar-se em Deus,
levados de pura complacência nele - eis a ideologia determinante do tender à santidade.
 
Esta límpida intenção movia a poetisa árabe do Séc IX, de nome Rábia, a Orar:
 
«Senhor, se eu me voltar para Vós por medo do Inferno,
precipitada seja no Inferno.
Se Vos anunciar com mira no Paraíso,
excluí-me do Paraíso.
Mas se Vos anunciar por amor de Vós,
não me priveis da Vossa eterna beleza».
 
 
 
Vida Consagrada - Abílio P Ribeiro
São Bernardo abade de Claraval

2.7.16

Sobre Santo António...

 
 
Dizem os Santos:
 

Santo António,
 
Possui a ciência dos Anjos
a fé dos Patriarcas
o conhecimento da lei como os Profetas
o zelo dos Apóstolos
a pureza das virgens
as austeridades dos Confessores da Fé
e o heroísmo dos Mártires
 
(São Boaventura)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Santo António
é o meu Teólogo.
 
(S. Francisco de Assis)
 
 
 

Responso de Santo António

 
Santo António
 
 
Responso de Santo António
 
Se milagres desejais,
Recorrei a Santo António;
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.
 
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
 
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.
 
Recupera-se o perdido... (repetir)
 
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-nos aqueles que o viram;
Digam-no os paduanos.
 
Recupera-se o perdido... (repetir)
 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
Como era no princípio, agora e sempre

Ámen.
 
 
V. Rogai por nós bem-aventurado Santo António.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
 
Repete-se: Recupera-se o perdido ..
.
Oremos: Deus eterno e omnipotente, Vós quisestes que o Vosso povo encontrasse em Santo António de Lisboa um grande pregador do Evangelho e um intercessor poderoso. Concedei-nos seguir fielmente os princípios da Vida Cristã, para que mereçamos tê-lo como Protector em todas as adversidades.

Por Cristo Nosso Senhor,
Ámen.
 
Rezar 3 vezes o Glória ao Pai... em acção de graças por todos os dons concedidos por Deus a Santo António e por todos os favores concedidos ao mundo por sua intercessão.
 
 
Com aprovação eclesiástica
 
De: Cavaleiro da Imaculada

1.7.16

Não permitas, Senhor...

 
Bendito Jesus, como expressar-Te, oh Senhor, a grande ternura que minha alma sente ante a
doçura de Teu Amor? Que fiz eu, Deus meu, para que assim me trates? Tão de imediato se
inunda minha alma de profunda amargura como se preenche de regozijante alegria ao pensar
em Ti e no que Tu prometes ao final da jornada. Que fiz eu, Senhor?
 
Hoje, na Santa Comunhão senti o consolo de um verme perto de Ti, quando tudo parece que
me abandona. Quis, Senhor, cravar em Teu Coração essas palavras que digo todos os dias:
 
Não permitas, Senhor, que me afaste de Ti!
 
Abraçado a Tua Cruz, entrei no Capítulo... 
Ao pé da Tua Cruz tomei o Alimento de que necessita minha débil natureza...
Aos pés de Tua Ensanguentada Cruz, encontro o consolo de escrever estas linhas...
 
Não permitas que me afaste de Ti, Senhor!
 
Esteja sempre, Senhor, à sombra do Duro Madeiro. Põe ali, a Teus pés, minha cela, meu leito...
Tenha eu, Senhor, ali minhas delícias, meus descansos no sofrer...
Que regue o solo do Calvário com minhas lágrimas...
Ali, ao pé da Cruz, tenha minha oração, meus exames de consciência...
 
Não permitas, Senhor, que me afaste de Ti!
 
Que alegria tão grande é poder viver ao pé da Cruz. Ali encontro a Maria, a São João e a todos
os que Te amam. Ali não há dor, pois ao ver a Tua, Senhor, quem se atreve a sofrer? Ali tudo se
esquece, não há desejo de gozar, nem ninguém pensa em penas...

Ao ver Tuas Chagas, Senhor, só um pensamento domina a alma...
Amor... Sim, amor para enxugar Teu Suor, amor para adoçar Tuas Feridas, amor para aliviar
tão imensa Dor.
 
Não permitas, Senhor, que me afaste de Ti!
 
 
 
S. Rafael Arnáiz Barón - Escritos