6.1.17

Mantém-te atento às tuas intuições

 
 
Estás a atravessar uma fase invulgar. Sentes-te chamado à solidão, à oração, a uma vida mais
reservada e mais simples. Apercebes-te de que, nesta altura, tens que limitar os teus movimentos,
ser comedido nos telefonemas e cuidadoso com as tuas cartas.
Possuis igualmente o entendimento de que a satisfação do teu desejo ardente de amizades íntimas,
de um ministério partilhado e de um trabalho criativo não trarão o que verdadeiramente desejas.
Para ti constitui uma experiência nova sentir tanto o desejo como a sua irrealidade. Apercebes-te
de que nada, excepto o amor de Deus, pode preencher as tuas necessidades mais profundas,
enquanto o teu desejo pela companhia dos outros e de outras coisas se mantém forte. Parece que a
paz e a angústia convivem lado a lado dentro de ti, que desejas tanto a distracção como recolher-te
profundamente  concentrado em oração.
 
Confia na clareza com que vês o que deves fazer. O pensamento de que talvez tenhas que viver
afastado dos amigos, de um trabalho árduo, dos jornais e de livros excitantes, deixou de te
amedrontrar. Deixou de provocar em ti ansiedade quanto ao que os outros pensarão, dirão ou farão.
Até mesmo a ideia de que corres o risco de perder em breve as tuas ligações ao mundo já não te
aflige. Rezas com facilidade. Que graça! À tua volta  as pessoas vão ao teatro ou a jantares festivos,
e tu não te sentes abandonado ou desprezado quando não és convidado a fazer-lhes companhia.
De facto, sentes-te muito feliz sozinho no teu quarto. Falas com Jesus e escutas o que Ele te diz
com igual facilidade. Estás a compenetrar-te da sua proximidade. Ele guarda-te no seu amor. Por
vezes, recordações de acontecimentos passados e fantasias quanto ao futuro trespassam o teu
coração, mas estes incidentes dolorosos têm-se tornado menos dolorosos, menos devastadores,
menos paralisantes. É como se servissem apenas para te lembrar de que precisas de te manter
próximo — muito próximo — de Jesus.
 
Apercebes-te de que algo totalmente novo, verdadeiramente único, está a acontecer no teu íntimo.
Sabes perfeitamente que algo está a morrer em ti e algo está a nascer. Deves manter-te calmo,
atento e obediente às tuas melhores intuições. Continuas a perguntar-te «O que é que eu faço com
o modo como procedi e com as coisas que disse no passado? E quanto às inúmeras opções que o
futuro me apresenta?».
 
Compreendes então que estas perguntas perderam todo o significado. Na nova vida que começas a
viver elas deixarão de se colocar. Os cenários que durante tanto tempo serviram de pano de fundo
aos teus pensamentos, palavras e acções, vão sendo lentamente enrolados e guardados de uma vez
por todas.
 
Sentes uma estranha tristeza. Emerge uma enorme solidão, mas não te sentes assustado. Sentes-
te simultâneamente seguro e vulnerável. Jesus está onde tu estás e podes ter a certeza de que
Ele te mostrará o passo seguinte.

[Henri J.M. Nouwen]
 
A: 6 de Jan 2017

3.1.17

Deixa no passado

 
 
                                                                 Deixa no passado
«Fazei o vosso exame de consciência, mas seja como limpar mesmo os sapatos, não aconteça que
leveis continuamente convosco a lama ou a recordação da lama do caminho» Veio, Senhor, ao meu
encontro esta frase de Charles Péguy, e pareceu-me cheia de uma pertinente sabedoria. É preciso
limpar o coração, purificá-lo de sombras, de vincos, de desgastes e ressentimentos. Mas, depois, há
também que deixar para trás a lama dos dias passados e viver cada dia, cada encontro, cada
compromisso de um modo inaugural e límpido. Ajuda-me a deixar no passado aquilo que dói do
passado e a viver o desafio que o presente me solicita.

[J. Tolentino Mendonça — Itinerários para a oração]


Img: http://quartodossonhos.tumblr.com/post/3603028920/o-passado-%C3%A9-como-um-cortina-de-vidro-felizes-os
 
Publicado a Setembro de 2016

Consagração a Nossa Senhora

 
 
                                                      Consagração a Nossa Senhora
Com todo o meu coração Vos louvo, ó Virgem Santíssima sobre todos os anjos e santos do Paraíso,
Filha do Pai Eterno, e Vos consagro a minha alma com todas as suas faculdades.

Ave-Maria Cheia de Graça...

Com todo o meu coração Vos louvo, ó Virgem Santíssima sobre todos os anjos e santos do Paraíso,
caríssima Mãe do Filho de Deus, e Vos consagro o meu corpo com todos os seus sentidos.

Ave-Maria...

Com todo o meu coração Vos louvo, ó Virgem Santíssima sobre todos os anjos e santos do Paraíso,
caríssima Esposa do Espírito Santo, Vos consagro o meu coração com todos os seus afectos, e Vos
rogo que obtenhais da Santíssima Trindade todas as graças necessárias para a minha salvação.

Ave-Maria....

Amen.

Em: http://verafidei.blogspot.pt/2015/12/ato-de-consagracao-nossa-senhora-da.HTML
 
Publicado em Outubro de 2016

Para conhecer Jesus são necessárias três coisas



                      " Para conhecer Jesus são necessárias três coisas."
 
Não se conhece Jesus somente com o catecismo, afirmou  o Papa Francisco.
 
Para conhecer realmente Jesus precisamos de oração, adoração e reconhecer-nos
pecadores. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa matutina (20/10) na Casa Santa
Marta. O Pontífice destacou que o catecismo não é suficiente para compreender a
profundidade do mistério de Cristo.
 
Francisco desenvolveu sua homilia partindo da Carta de São Paulo aos Efésios. O
Apóstolo dos Gentios, observou ele, pede que o Espírito Santo dê aos Efésios a graça
de "serem fortes, robustos", que faça de modo que Cristo habite em seus corações. Ali
está o centro.
 
Não se conhece Jesus somente com o catecismo, é preciso rezar. O Papa observou que
Paulo "se imerge" no "mar imenso que é a pessoa de Cristo". Mas como podemos
conhecer Cristo? Questionou Francisco. Como podemos compreender o amor de Cristo
que supera todo conhecimento?:
 
"Cristo está presente no Evangelho, lendo o Evangelho conhecemos Cristo. E todos
fazemos isso, pelo menos ouvimos o Evangelho quando vamos à Missa. Com o estudo
do catecismo. O catecismo nos ensina quem é Cristo. Mas isso não é suficiente. Para
ser capaz de compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade
de Jesus Cristo é preciso entrar num contexto, primeiro, de oração, como faz Paulo, de
joelhos: "Pai, envia-me o Espírito para conhecer Jesus Cristo".
 
Encontrar o Senhor no silêncio da adoração. Para conhecer realmente Cristo, “é
necessária a oração”. “Paulo não somente reza, adora este mistério que supera todo
conhecimento e num contexto de adoração pede esta graça” ao Senhor:
 
Não se conhece o Senhor sem este hábito de adorar, de adorar em silêncio, adorar. Se
não estou enganado, creio que esta oração de adoração seja a menos conhecida entre
nós, é a que menos rezamos. Perder tempo, permito-me dizer, diante do Senhor,
diante do mistério de Jesus Cristo.
 
Adorar. Ali em silêncio, o silêncio da adoração. Ele é o Senhor e eu o adoro.
Reconhecer-se pecadores para entrar no mistério de Jesus.
 
O Papa disse ainda que para conhecer Cristo é necessário ter consciência de nós
mesmos, ou seja, ter o hábito de nos acusar, de reconhecer-nos pecadores:
 
Não se pode adorar sem acusar-se a si mesmo. Para entrar neste mar sem fundo, sem
margens, que é o mistério de Jesus Cristo, estas coisas são necessárias: Primeira, a
oração: "Pai, envia-me o Espírito para que Ele me leve a conhecer Jesus". Segunda, a
adoração ao mistério, entrar no mistério, adorando. E terceira, acusar-se a si mesmo:
Sou um homem dos lábios impuros. Que o Senhor dê esta graça que Paulo pediu para
os Efésios também a nós, esta graça de conhecer e merecer Cristo.
 

(Rádio Vaticano)
 

Tantum ergo

 
 
Tantum ergo
Tão sublime Sacramento
adoremos neste altar.
Pois o Antigo Testamento
deu ao Novo o seu lugar.
Venha a fé por suplemento
os sentidos completar.
Ao Eterno Pai cantemos
e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaltemos,
na Trindade é eterno amor.
Ao Deus Uno e Trino demos
a alegria do louvor.
Amém. Aleluia.

Tantum ergo Sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui:
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui.
Genitori, Genitoque
Laus et Jubilatio,
Salus, honor, virtus quoque
Sit et benedictio:
Procedenti ab utroque
Compar sit laudatio.
Amen.

Um Hino Latino Medieval escrito por São Tomás de Aquino.
 
Publicado a Outubro 2016


Da Esperança

 
 
Da esperança

Encontrei uma bonita imagem da esperança nas pregações de Advento de São Boaventura. O doutor seráfico diz aos seus ouvintes que o movimento da esperança se assemelha ao voo do pássaro, que para voar estende as suas asas o mais abertamente que pode e emprega todas as suas forças para as mover, torna-se todo ele movimento, e assim vai para o alto, voa efectivamente. Esperar é voar, diz Boaventura. A esperança exige-nos um empenho radical, requer que todos os nossos membros se tornem movimento para nos levantar da força de gravidade da Terra, para ascender à verdadeira altura do nosso ser, às promessas de Deus.
O doutor franciscano desenvolve então uma bela síntese da doutrina dos sentidos exteriores e dos sentidos interiores. Quem espera, assim diz ele, «deve levantar a cabeça, dirigindo para o alto os seus pensamentos, para a altura da nossa existência, isto é, para Deus. Deve levantar os olhos para captar todas as dimensões da realidade. Deve levantar o coração dispondo o seu sentimento para o sumo amor e para todos os seus reflexos no mundo. Deve mover também as suas mãos no trabalho».
(...)
O Senhor ensinava-nos a esperança ensinando-nos a sua oração, diz Tomás de Aquino. O pai-nosso é escola de esperança, a sua iniciação concreta. No Catecismo Romano a exposição do pai-nosso forma a quarta parte da catequese cristã fundamental, juntamente com a explicação da confissão de fé, do credo, dos mandamentos e dos sacramentos. Também aqui a oração do Senhor faz de explicação da esperança. Um homem desesperado já não reza porque já não espera; um homem seguro do seu poder e de si próprio já não reza porque confia somente em si mesmo.

Quem reza tem esperança numa bondade e num poder que ultrapassam as suas próprias possibilidades. A oração é esperança em acto.

[Exercícios de Fé, Esperança e Caridade — Joseph Ratzinger]
Em: Olhar para Cristo - Boaventura e Tomás Aquino — pgs 75/77

 
Em Outubro de 2016

Frei Lourenço da Ressurreição

 
 
«Se a barquinha da nossa alma
continua batida pelos ventos
e pela tempestade,
despertemos o Senhor que repousa,
Ele rapidamente acalmará o mar.»

 
 
 
 
Frei Lourenço da Ressurreição | 1614 – 1691
Carta 01. A uma Religiosa. 01 de Junho de 1682.




[Orar com os Místicos do Carmelo]
 
Em: Outubro de 2016

Da Relação entre a Eucaristia e a Cruz

 Da Relação entre a Eucaristia e a Cruz
 
 
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia pouco antes da sua paixão, para que conhecêssemos a relação existente entre este Sacramento e a Cruz. Instituindo-o, mudou separadamente, e por duas acções distintas, o pão em seu Corpo e o vinho em seu Sangue, para exprimir a efusão que, na cruz, faria de seu Sangue até a última gota. Apresentando o seu corpo aos discípulos disse-lhes: Isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós (Lc 22, 19); apresentando o seu sangue: Este é o Cálice do meu Sangue, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados (Mt 26,28).

Quis que o seu corpo conservasse na eucaristia o caráter de vítima e o seu Sangue o de um sangue derramado e aplicado às almas em expiação dos respectivos pecados. Dando, enfim, aos discípulos o poder de consagrarem-lhe o Corpo e o Sangue, recomendou-lhes que o fizessem em sua memória,
isto é, advertiu-lhes que se lembrassem de ser esse sacramento o memorial da sua morte cruenta.

Quis, por outro lado, que a Eucaristia constituísse alimento necessário, indispensável das almas, como o único meio de poderem ter em si a vida da graça, e de a conservarem e aumentarem.

O que queria Jesus?

1.º que os fiéis guardassem profundamente gravada no coração a lembrança da sua cruz;

2.º que a renovassem em si mesmos cada vez que recebessem o seu corpo;

3º que, alimentando-se da sua carne, também se alimentassem da sua cruz, se incorporassem por assim dizer a esta, ardessem de amor pela sua glória e manifestassem progresso espiritual com a recepção da eucaristia, tornando-se sempre mais ardorosos pela cruz. Assim compreenderam os mártires dos primeiros séculos, pois mediante a recepção da santa eucaristia preparavam-se para os mais atrozes suplícios e, saciados com esse manjar sagrado, afrontavam os tiranos e algozes.

Queremos comungar utilmente e corresponder às intenções de Jesus Cristo? Comunguemos desejosos de que seu corpo adorável faça nascer em nós o amor à cruz, isto é, às humilhações e sofrimentos, o desejo de morrermos para nós mesmos e sermos imolados com Jesus Cristo segundo a vontade de Deus. Por aí devemos alcançar os frutos das nossas comunhões. Não as julguemos boas
quando gozamos de consolações e sim quando nos enchem de nova coragem para vencermos todas as penas enviadas por Deus e até desejarmos outras maiores; quando aprendermos a não mais procurar Deus em nosso proveito, mas buscá-lo e amá-lo unicamente por ele mesmo, a não atender à maneira por que nos trata, a ficar igualmente contentes quer nos trate com rigor quer com doçura, ou até preferir aquele a essa. Se as nossas comunhões produzirem esses efeitos, serão excelentes; realizarão as intenções de Jesus Cristo; serão igualmente gloriosas para Deus e profícuas para nós.

Alarmamo-nos quando comungamos sem gosto e sem devoção, ou quando Deus não nos dá consolações?
 
Se não tivermos contribuído para isso com alguma falta ou infidelidade voluntária, consolemo-nos; é sinal de que a eucaristia não é para nós o pão dos fracos e começa a tornar-se o pão dos fortes.
Enquanto precisamos encontrar na eucaristia o gosto sensível, somos fracos; mas se comungarmos sem prestar atenção a nós mesmos, sem nos preocupar com os efeitos sensíveis, sem os desejar e sem nos entristecer com a sua privação, tornamo-nos fortes; começamos a viver da vida do espírito,
o nosso amor a Deus purifica-se, não é mais eivado do amor a nós mesmos.

[Manual das Almas Interiores, Jean Grou] , S.J; Editora Vozes 1953]

 
 
Publicado em Outubro de 2016

Nossa Senhora de Fátima

 
 
Nossa Senhora de Fátima

Se temos confiança na Mãe de Cristo, como tiveram os noivos de Canã da Galileia, podemos confiar-lhe as nossas preocupações como eles fizeram e confiar-lhe também as nossas decisões e lutas interiores que nos possam atormentar. Podemos confiar tudo à Virgem da Confiança, Mãe da nossa entrega: "Eu me entrego a Ti. Quero dedicar-me a Cristo, mas a Ti me confio, como fizeram aqueles noivos!"
Não foram ter directamente com Cristo, a pedir-lhe um milagre, mas foram ter com Maria, confiaram a Maria, as suas preocupações e dificuldades.
É claro que, ao actuarem assim, queriam chegar a Cristo, queriam, por assim dizer - passe a expressão - "provocar" a Cristo e ao Seu Poder Messiânico. Também nós, na nossa vocação, que é caminho espiritual para Cristo, para sermos de Cristo, para sermos "alter Christus" devemos aproximar-nos desta Mãe da nossa entrega e dar-nos a Ela, para que nos leve a Cristo, para nos oferecer a Cristo e nos dedicar a Cristo.

Dirige o Teu olhar misericordioso àqueles que sofrem. Permanece ao lado das vítimas da violência e do terror, e consola os que estão de luto.
Que o Teu Filho, Jesus, conforte e dê Paz a todos os enfermos e moribundos e fortaleça aqueles que
se dedicam ao seu cuidado físico e espiritual.
Conduz todos ao reino de Santidade, de Verdade e de Vida do Senhor.
Tu, que livremente disseste "Sim" a Deus e assim Te tornaste a Virgem Mãe do Seu único Filho, permanece sempre ao lado dos teus filhos. Ámen.

[São João Paulo II — Orar]
 
Publicado a 13 de Outubro de 2016


Pai das misericórdias

 
 
                                                          Pai das misericórdias
Está triste?

A vida humana nunca será inteiramente livre das sombras da tristeza. Algumas pessoas vivem com
um determinado obstáculo ou dificuldade incomodando as suas vidas.

Quanto a outras, há momentos em que temos de concordar que "quando as tristezas chegam para
elas, não vêm como batedores solitários, invadem-nas em batalhões."

― Shakespeare.

Para muitos a pergunta candente é: "Será que Deus se incomoda com o que está a acontecer comigo,
ou será que, ao menos, conhece e sabe o que me está acontecendo?"

Abandonamos o caminho do ressentimento e da amargura quando dizemos a Deus: "Não compreendo
os Vossos desígnios, mas confio em Vós!"
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda
consolação. Ele nos consola em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão
em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus" (2Cor 1,3-4).


[Crescer na Fé ― Ed Paulinas]
 
Há 12 semanas - Outubro de 2016